domingo, 31 de agosto de 2008

Ser repórter



Ser repórter não é simplesmente um ofício e sim uma opção de vida. É quase um sacerdócio, segundo Ricardo Koscho. Em “A prática da reportagem”, que tem em seu prefácio o testemunho de nada menos que Clóvis Rossi, considerado por muitos o melhor jornalista do Brasil, Koscho faz uma reflexão de sua vida, suas experiências e sua maior paixão: seu ofício.

Mesmo considerando no início da obra que não há uma técnica para ser repórter como há em outras profissões, Koscho nos apresenta dicas importantes para tal fim. Existem técnicas para escrever que se acrescentam ao estilo de escrita do jornalista e alguns conceitos. Para o oficio em si, não há uma técnica, pois não se trata de uma fórmula cientifica, e sim a arte de informar para transformar. Se houvesse uma única técnica, todos os jornalistas seriam iguais, consequentemente, todos os jornais produziriam as mesmas matérias escritas da mesma forma.

“O repórter só deve ser repórter se isso for irreversível, se não houver outro jeito de ganhar a vida, se alguma força maior o empurra para isso”. O repórter nasce repórter, enfrenta inúmeras dificuldades, não tem altíssimos salários, mas, se está exercendo a profissão é por que não há outro jeito, ele nasce com o dom de apurar e informar e deve ter por objetivo diário retratar a realidade, denunciar para transformar: modificar realidades através da informação.

No livro, Koscho dá dicas para exercer com brilhantismo a função de repórter. Dicas de como, a partir de uma pauta superficial de assunto pouco interessante, criar uma matéria de capa. O repórter não deve ser um mero “filho da pauta”, deve ir além dela, explorar outros aspectos relevantes que não contém na pauta e nunca recusar uma pauta sem antes analisá-la e pesquisar os assuntos que a envolve.

O repórter deve ir à rua, entrevistar, apurar, analisar em diversos aspectos e pontos de vistas diferentes o mesmo assunto. Não deve apenas explorar números e dados estatísticos; claro que são de total importância para dar consistência à matéria, mas não devem ser unicamente exploradas. Deve-se expor o que significam na vida das pessoas.

Segundo Koscho a impessoalidade que é tão explorada nos cursos de jornalismo, nem sempre se deve levar ao “pé da letra” no caso da reportagem. O repórter é um ser humano como os outros, que sente e tem opinião. E não deve ter medo de tomar posição quanto à escolha da forma de abordagem do tema. Ele deve expor o sentimento das vitimas do problema abordado na matéria, colocando o publico no lugar das vitimas e para isso colocar-se no lugar do leitor.

O repórter deve ir a fundo na apuração dos fatos de acordo com a complexidade do assunto. As grandes coberturas e matérias exigem dedicação e esforço dobrados, pois podem representar a gloria ou seu fracasso do repórter, devido ao grande número de informações, aspectos e pontos de vista a serem abordados. Entretanto, a essência do trabalho do repórter deve ser a mesma nos casos de grandes ou pequenas coberturas, com diferença apenas da complexidade do fato e da necessidade da matéria para o jornal em que trabalha.

As reportagens investigativas, aquelas em que o repórter dedica-se em descobrir o que querem esconder da opinião pública, nunca terminam no ponto final da matéria, sempre deve haver uma abertura para a inclusão de novos dados. Nessas reportagens deve-se cuidar muito bem da matéria e ser ainda mais exigente consigo mesmo, pois uma informação errada pode representar desastrosas consequências para o jornal, para ele mesmo e, principalmente, para a sociedade.

Koscho termina seu manual com uma esperança: “Enquanto houver repórteres dispostos a levar o oficio até as ultimas consequências, a reportagem sobreviverá - grande ou pequena, não importa. O importante é continuar contando o que acontece por aí”. Um verdadeiro impulso para quem pretende se dedicar a essa louca vida!!!

sábado, 23 de agosto de 2008




















Minhas primeiras notas não falarão de nada interessante.
Serão meras palavras soltas, leves; sem nenhum objetivo.
Essas primeiras notas falarão do nada.
Do quão nada interessante são meras palavras soltas!

A partir dessas primeiras meras palavras, nada surtirá.
Nada acabará e tudo continuará.
Tudo vai escurecer quando o dia acabar
Como todos os dias, em qualquer entardecer.

Talvez de algo essas palavras servirão.
Farão voar, visar, viajar, correr, ou coger talvez
Mas continuará onde está.
Nada vai mudar.

Que sejam ao menos luz
e te façam pensar que nada querem dizer
e tudo continuará como agora está!