segunda-feira, 20 de abril de 2009
Ética e um mundo melhor
Sei que neste momento você está pensando "Que garoto ingenuo. Mal sabe o que é corrupção no Estado." Mas te antecipo que o fenomeno de corrupção do Estado também obedece ao ciclo que citei acima e faz tanto mal quanto o comerciante do exemplo. Quer ver: Um político corrupto, um qualquer dentre os tantos que existem que utiliza o dinheiro público para atender seu interesses pessoais e se esquece de cumprir com suas obrigações com a população, um dia é assaltado, tem sua casa pixada, é ameaçado de morte por traficantes de drogas e fugindo de bandidos é prejudicado pelo péssimo estado das estradas.
Certamente o político corrupto poderia ter evitado os problemas com os bandidos se tivesse investido em educação; não teria problemas com o tráfico de drogas se houvesse utilizado melhor o dinheiro da segurança pública e não teria sofrido com o mau estado das estradas se toda a verba destinada ao transporte fosse eficientemente utilizada e não desviada. Ao comerciante seria muito mais simples, caberia a ele o devido pagamento de seus tributos e a "fiscalização" do pagamento de impostos pelos seus fornecedores e com isso evitaria um aumento das alíquotas, que consequentemente aumentaria seu lucro final.
Os problemas são muito simples de serem resolvidos. Se cada um fizesse sua parte agindo da forma que julgar mais correta e que prejudicaria o menor número de pessoas, já seria visivel uma grande mudança na vida das pessoas, na educação da nossa gente má educada e consequentemente em todos os aspectos das nossas vidas. O que não resolve nada é pensar em não fazer o correto porque alguém acima não cumpre com suas obrigações, é acreditar estar sendo "burro" em agir corretamente, já que irão corromper sua corretisse e que, por isso, não cumprir com o correto estará sendo esperto e não anti-ético.
Sempre me lembro do que uma professora de folosofia me disse há algum tempo e que não entendi muito bem na hora, mas hoje faz todo o sentido: O Estado é o reflexo de seu povo. Povo corrupto, Estado corrupto. Por isso para que aconteça qualquer mudança social, educacional e ética do nosso povo, é preciso que este mude sua forma individual, egoísta de ser. É preciso agir de forma distinta às ações da maioria de nossos políticos e sempre, antes de agir, pensar nas consequencias daquelas ações para os demais.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Editorial: Um novo rumo para Cuba
O titulado "Socialismo cubano" está com seus dias contados. Após divulgação de medidas de flexibilização às relações com Cuba pelos Estados Unidos, o país dos Castros terá a oportunidade de colocar um ponto final na dramática e miserável história autoritarista que já dura mais de meio século e que isolou a ilha de língua espanhola do restante do mundo.
A medida norte-americana consiste em flexibilizar algumas das restrições impostas atualmente na relação com Cuba, facilitando viagens e remessas de dinheiro para a ilha, além de permitir que empresas de telecomunicações ofereçam serviços no país comunista. Com isso, a ilha que está isolada e fora do sistema econômico global, passará a contar com um sistema de comunicação externo, fora do controle dos Castros. Assim, os Estados Unidos pretende oferecer ao cubanos informações e notícias que fujam da vontade de Fidel e de seu Irmão Raul.
Entre as medidas anunciadas pela Casa Branca está a permissão para que cubanos que vivem nos EUA possam viajar livremente para a ilha, além de enviar dinheiro para seus familiares sem limitações. Será permitido também o envio de presentes como roupas, itens de higiene pessoal e outros materias para as famílias. Em ambos os casos, ainda impera a proibição de que o destinatário desses recursos e materiais seja membro graduado do governo cubano ou do Partido Comunista
Tais medidas ainda soam como um pequeno passo para incorporação da Ilha ao sistema econômico global, pois os Estados Unidos ainda mantem o embargo economico imposto há decadas a Cuba. Entretanto, pode-se comemorar o pequeno passo dado, que poderá representar a melhor concientização dos cubanos através da informação e poderá oferecer aos cubanos a informação e recursos que necessitam para que tenham uma vida mais digna, menos miserável e que possam desfrutar do que menos tiveram em todas essas décadas, o livre arbítrio.
domingo, 30 de novembro de 2008
Estranhos vizinhos
O cenário musical argentino, suas influências e nosso desconhecimento.
Berço de Carlos Gardel, Maradona, Che Guevara, Julio Cortázar e Jorge Luis Borges, a Argentina vive hoje sob uma imensa gama de ritmos e sons que misturam poesia, protestos e situações cômicas em suas letras. E apresentam por resultado final uma excelente demonstração de qualidade musical e, além disso, de valorização de sua musica nacional, sua língua e sua história.
Quem pensa que nossos vizinhos argentinos só escutam tango e todas aquelas músicas dos tempos de nossos avós, está muito enganado. Contemporaneamente a música argentina vem se transformando e se reformando em um novo cenário musical, que não deixa de ser influenciado por sua história musical. Influenciados, sobretudo, pelo tango de Carlos Gardel e dos ritmos latinos, o rock argentino é o estilo mais escutado pelos jovens, seguidos pelo reggaeton, o reggae e a cumbia; estilos predominantes nas rádios, nos boliches (nas baladas) e no gosto de “nuestros hermanos”.
Tangueiro e ator conhecido no mundo todo, e cuja voz foi decretada como patrimônio da humanidade pela UNESCO,Carlos Gardel foi o grande mestre da música argentina nas décadas de 20 e 30, servindo como influência, não apenas musical, para as gerações seguintes . Sua voz forte e um pouco triste serviu de inspiração a diversos grupos, que se guiavam nos clássicos como “por una cabeza” e “mi Buenos Aires querida” para construir canções de protestos ou apoio ao governo nos anos 60 e às letras de cunho ideológico nos anos 70.
Ainda hoje Carlos Gardel é respeitado por toda a nação argentina e continua servindo como inspiração a grupos de rock contemporâneos. O estilo da voz de Gardel se faz presente em grupos mais populares como “Las pastillas del abuelo” , que, ao som do rock clássico, utilizam letras cômicas para falar de situações cotidianas e, como todo bom argentino, fazer críticas ao governo e a atual situação do país. Segundo o jornalista brasileiro, Marcelo Evangelista “A música na Argentina, independente do gênero, é mais critica, mesmo porque o argentino é mais critico, diferente do Brasil em que o sentimento que prevalece nas canções é o amor”, disse.
Também se destacam no rock nacional argentino as bandas “Intoxicados” e “Los Piojos”, que têm estilos semelhantes e, além de letras de amor, também fazem críticas sociais através de letras cômicas. Outra semelhança entre essas bandas são suas influências no rock norte-americano e europeu, misturado a estilos latinos como o tango, a cumbia e outros.
Outra banda, que não é tão popular na Argentina por estar dentro do cenário independente, é The Tormentos, banda conhecida no cenário independente de rock na Argentina e faz um surf music com as características caribenhas e com temática nas trilhas tarantinas. Ela vem ao Brasil se apresentar no maior festival de bandas independentes do país. De acordo com Evangelista, a relação entre a música brasileira e argentina se distancia pela influência da música norte-americana e européia nos respectivos países, o que ofusca a ascensão dos grupos e bandas que arriscam uma progressão nesse espaço”.
O reggaeton, uma mistura do reggae jamaicano com o rap norte americano, teve origem nas cidades de grande concentração de imigrantes latinos nos Estados Unidos. Esse ritmo com batidas mais fortes que o reggae jamaicano invade as pistas de dança argentinas e de todos os outros países latino americanos, exceto o Brasil. Na Argentina, e nos outros países latino americanos, as bandas mais populares são Calle 13,
O reggae argentino está em alta em todo o país, ganhando força total em todo território argentino, sobretudo na capital Buenos Aires. O estilo jamaicano, já conhecido em todo o mundo, ganhou em suas versões argentinas uma grande aliada ao ritmo, a língua. O castelhano, ou espanhol como preferir, se encaixa ao reggae, talvez pela melodia ou ritmo, formando na opinião de muitos, “uma perfeita união” como diz Nicolas Perez, argentino, 23 anos. As bandas que mais fazem sucesso nesse gênero são Los Cafres, Nonpalidece, Gondwana e outros.
A cumbia, música que teve origem na Colômbia, também é muito escutada pelos argentinos, sobretudo em festas e casas noturnas. Seu ritmo latino e dançante, faz grande sucesso entre os argentinos e entre os turistas que visitam nossos vizinhos e acreditam que a Cumbia é originária da Argentina de tão popular que o ritmo é em todo território platense. Esse ritmo ficou um pouco conhecido também no Brasil, quando o jogador de futebol Carlitos Tevez. comemorava seus gols aos paços da cumbia. As bandas que mais fazem sucesso nesse gênero são Yerba Brava, Cumbia Villera e outras.
Diverso, atual, eclético. Assim se caracteriza o cenário musical argentino, que apesar de ter grandes qualidades técnicas e estruturais é pouco desfrutada no Brasil. “Aqui sempre procuramos o que vem de cima, do hemisfério norte, por parecer mais atual, de melhor qualidade. Acabamos nos esquecendo de olhar pro lado, para o lado mesmo, e ouvir e conhecer o que há de melhor nos nossos vizinhos que têm uma história muito parecida com a nossa” diz Julio César Pinto, brasileiro e professor de salsa na argentina. Apesar da proximidade física entre Brasil e Argentina, nossos vizinhos nos tornam desconhecidos, estranhos e parecem cada vez mais distantes.
domingo, 31 de agosto de 2008
Ser repórter

Ser repórter não é simplesmente um ofício e sim uma opção de vida. É quase um sacerdócio, segundo Ricardo Koscho. Em “A prática da reportagem”, que tem em seu prefácio o testemunho de nada menos que Clóvis Rossi, considerado por muitos o melhor jornalista do Brasil, Koscho faz uma reflexão de sua vida, suas experiências e sua maior paixão: seu ofício.
Mesmo considerando no início da obra que não há uma técnica para ser repórter como há em outras profissões, Koscho nos apresenta dicas importantes para tal fim. Existem técnicas para escrever que se acrescentam ao estilo de escrita do jornalista e alguns conceitos. Para o oficio em si, não há uma técnica, pois não se trata de uma fórmula cientifica, e sim a arte de informar para transformar. Se houvesse uma única técnica, todos os jornalistas seriam iguais, consequentemente, todos os jornais produziriam as mesmas matérias escritas da mesma forma.
“O repórter só deve ser repórter se isso for irreversível, se não houver outro jeito de ganhar a vida, se alguma força maior o empurra para isso”. O repórter nasce repórter, enfrenta inúmeras dificuldades, não tem altíssimos salários, mas, se está exercendo a profissão é por que não há outro jeito, ele nasce com o dom de apurar e informar e deve ter por objetivo diário retratar a realidade, denunciar para transformar: modificar realidades através da informação.
No livro, Koscho dá dicas para exercer com brilhantismo a função de repórter. Dicas de como, a partir de uma pauta superficial de assunto pouco interessante, criar uma matéria de capa. O repórter não deve ser um mero “filho da pauta”, deve ir além dela, explorar outros aspectos relevantes que não contém na pauta e nunca recusar uma pauta sem antes analisá-la e pesquisar os assuntos que a envolve.
O repórter deve ir à rua, entrevistar, apurar, analisar em diversos aspectos e pontos de vistas diferentes o mesmo assunto. Não deve apenas explorar números e dados estatísticos; claro que são de total importância para dar consistência à matéria, mas não devem ser unicamente exploradas. Deve-se expor o que significam na vida das pessoas.
Segundo Koscho a impessoalidade que é tão explorada nos cursos de jornalismo, nem sempre se deve levar ao “pé da letra” no caso da reportagem. O repórter é um ser humano como os outros, que sente e tem opinião. E não deve ter medo de tomar posição quanto à escolha da forma de abordagem do tema. Ele deve expor o sentimento das vitimas do problema abordado na matéria, colocando o publico no lugar das vitimas e para isso colocar-se no lugar do leitor.
O repórter deve ir a fundo na apuração dos fatos de acordo com a complexidade do assunto. As grandes coberturas e matérias exigem dedicação e esforço dobrados, pois podem representar a gloria ou seu fracasso do repórter, devido ao grande número de informações, aspectos e pontos de vista a serem abordados. Entretanto, a essência do trabalho do repórter deve ser a mesma nos casos de grandes ou pequenas coberturas, com diferença apenas da complexidade do fato e da necessidade da matéria para o jornal em que trabalha.
As reportagens investigativas, aquelas em que o repórter dedica-se em descobrir o que querem esconder da opinião pública, nunca terminam no ponto final da matéria, sempre deve haver uma abertura para a inclusão de novos dados. Nessas reportagens deve-se cuidar muito bem da matéria e ser ainda mais exigente consigo mesmo, pois uma informação errada pode representar desastrosas consequências para o jornal, para ele mesmo e, principalmente, para a sociedade.
Koscho termina seu manual com uma esperança: “Enquanto houver repórteres dispostos a levar o oficio até as ultimas consequências, a reportagem sobreviverá - grande ou pequena, não importa. O importante é continuar contando o que acontece por aí”. Um verdadeiro impulso para quem pretende se dedicar a essa louca vida!!!
sábado, 23 de agosto de 2008
Serão meras palavras soltas, leves; sem nenhum objetivo.
Essas primeiras notas falarão do nada.
Do quão nada interessante são meras palavras soltas!
A partir dessas primeiras meras palavras, nada surtirá.
Nada acabará e tudo continuará.
Tudo vai escurecer quando o dia acabar
Como todos os dias, em qualquer entardecer.
Talvez de algo essas palavras servirão.
Farão voar, visar, viajar, correr, ou coger talvez
Mas continuará onde está.
Nada vai mudar.
Que sejam ao menos luz
e te façam pensar que nada querem dizer
e tudo continuará como agora está!